MSC. Mercedes
Méndez Fariñas[1]
Em todos os
modelos de ensino da Educação Física como domínio do conhecimento prevalece o
princípio de que ela é uma ciência plena e que, enquanto tal, contribui tanto à
melhoria da saúde quanto da qualidade de vida, além de possibilitar que os
estudantes aprendam a adotar atitudes críticas ante diferentes processos sociais,
facilitando o desenvolvimento de habilidades práticas, a apreensão progressiva
e a reelaboração inteligente do conhecimento, para enfim integrar-se com o meio
local, territorial e global no qual estão inseridos, lhes permitindo inclusive saber
desfrutar do tempo livre, consolidando sua formação integral.
Na segunda
metade do século XX, a Educação Física experimentou profundas transformações do
ponto de vista teórico-metodológico, quando teve início o processo de
desenvolvimento de concepções psicopedagógicas e sociológicas, dando lugar a
diferentes modelos para o ensino da matéria, entre os quais se destacam o
Modelo Médico ou tradicional, o Modelo Psicoeducativo e o Modelo
Socioeducativo.
Desde os anos
1990 até hoje o ensino da Educação Física tem geralmente tratado de
aperfeiçoar-se na linha da preparação dos professores de Educação Física com
uma visão mais pedagógica, não obstante o que se necessite atualmente no ensino
da matéria sejam perspectivas e modelos dinâmicos e sócio-pedagógicos, de sorte
que nos enfrentamos já com um novo marco lógico de ensino, que exige mais dos
professores.
Com efeito, o
perfil que hoje se espera destes professores de Educação Física é o de serem
organizadores da interação entre o aluno e o próprio objeto do conhecimento, dado
que os mestres, na medida em que ensinam, contribuem para o desenvolvimento de
novas experiências, novos saberes e novas expectativas nos educandos.
Um bom curso
de Educação Física pode, por exemplo, despertar o interesse dos alunos pela
prática profissional de um esporte, sendo para tanto necessário um bom
professor da matéria.
Todos os
modelos de formação professoral de finais do século XX coincidem em apresentar o
professor de Educação Física como um facilitador da aprendizagem, o que não
impediu que a formação do professorado se tenha configurado historicamente
sobre a base de duas concepções, quais sejam
1) a que define um conjunto de predicativos
desejáveis no professor isoladamente considerado e
2) a que transcende o âmbito do pessoal
e visualiza o professor no contexto da realidade dialógica, interativa e complexa
na qual desempenha suas funções.
Conforme esta
segunda concepção, a solução dos problemas que o professor de Educação Física enfrenta
requer dele um mais elevado nível de conhecimentos científicos, saberes
técnicos e habilidades práticas que se manifestem na ação lógica de sua
profissão e que lhe permita, inclusive, melhor competitividade no trabalho
docente que realiza. De fato, se as classes de Educação Física ensinam
habilidades para a ação, o que se requer é um professor que saiba estabelecer o
nexo dialético entre teoria e técnica, que reúna em si habilidades não apenas quanto
às questões conceituais do ensino-aprendizagem, mas às concretas da prática da ciência
de que é mestre.
Em Cuba o
processo de formação dos professores de Educação Física tem passado por três
etapas em seu desenvolvimento, a saber. A primeira tomou lugar entre 1959-1975,
na qual predominava o caráter centralizado e massivo da formação docente, o que
alterava a efetividade da preparação de profissionais, de forma que o impacto
que se queira lograr nas classes de Educação Física, em última análise, não era
sempre positivo para os escolares considerados em suas necessidades
específicas.
A segunda etapa é datada entre 1976-1989
e caracteriza pelo surgimento de um sistema de formação docente com tendência à
descentralização, ao qual corresponde uma etapa qualitativamente superior na
superação profissional quanto à eficácia e efetividade. Implantou-se uma nova
metodologia para o desenvolvimento das atividades, que permitiu combinar as
ações de caráter central com outras que respondiam, por exemplo, a necessidades
territoriais, bem como foram incrementadas as atividades de pós-graduação,
inclusive valendo-se da modalidade de educação à distância.
A terceira
etapa, desde 1990 até a atualidade se caracteriza pela descentralização e
integralidade na formação de mestres desta ciência. Fortaleceu-se o enfoque
profissional do processo de ensino-aprendizagem ao propor o desenvolvimento da
investigação unido à formação prático-profissional; o que favoreceu a
correspondência entre os componentes organizacionais do plano de estudo, ou
seja, o acadêmico, o investigativo e o laboral. Por conseguinte, logrou-se
melhor interface entre a teoria e a prática.
A profissionalização
do mestre de Educação Física, no contexto cubano atual, é um processo de
formação continuada que começa a perfilar-se desde a etapa de sua formação
inicial e prossegue ao longo de toda a sua vida profissional, o que conduz a
melhorias no desempenho docente. Nisto têm grande importância as formas
organizativas de profissionalização aptas a contribuir à transformação das maneiras
de pensar e atuar, estimulando a independência cognoscitiva, mantendo elevada a
motivação pela profissão e galvanizada a produção de conhecimentos, de forma
que o mestre de Educação Física tem que
preparar-se não apenas para ensinar a matéria, senão para tomar parte da
produção científica das diversas áreas da pesquisa especializada. Daí a
importância que dominem as complexas características de seu contexto de atuação
para potenciar uma formação didática contextualizada, na qual esteja presente,
a par do reconhecimento do mestre, o da sua preparação sistemática em função
das transformações substanciais que se apresentam diariamente em cada processo
de ensino-aprendizagem.
*
Tradução de Rilton Gonçalo B. Primo, Presidente do Centro de Estudios por la Amistad de Latinoamérica, Ásia y África
(CEALA).
[1] Doutoranda
em Ciências do Esporte e Cultura Física pela Universidad de Granada (Espanha), Mestre em Desenvolvimento Social da América Latina e
Caribe pela Facultad Latinoamericana de
Ciencias Sociales (FLACSO) da Universidad de La Habana, pesquisadora,
conferencista e professora de Historia do Esporte da Facultad de Cultura Física de la
Universidad de Ciego de Ávila (Cuba).






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